João Berhan - Falas de Revolução

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Do disco "Roupa Nova" (2018, edição de autor)

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Picão: saxofone tenor
Ricardo: clarinete baixo
Baltazar: percussões
Miguel: contrabaixo
Teresa: voz e coros
Berhan: piano eléctrico e voz

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Falas de revolução
trazes um cravo na mão
Sabes que a insurreição
cabe a alguns, a outros não
Concretiza a tua dança
tempestiva de bonança
prende o cravo na tua trança
porque não?

Falas de revolução
trazes um cravo na mão
Mas a emancipação
é questão de educação
Tu, tal qual a Gabriela
cheiras a cravo e canela
crava o cravo na lapela
porque não?

Habitação
educação
saúde e pão
e vinho

Na habituação
à situação
beber mais um
copinho

Saúda então
o grande irmão
não há outro
caminho

E no edredão
sonhar em vão
revolução
sozinho

Falas de revolução
trazes um cravo na mão
Lá vens tu com o teu quinhão
mas nem tudo é comunhão
Vens segura, não formosa
a luta é poesia, não prosa
faz do cravo a tua rosa
porque não?

~

Imaginado, tocado e cantado por mim (voz, guitarra eléctrica, viola, cavaquinho, piano, teclados, percussões electrónicas, chocalho, ovinhos, estalinhos, barulhinhos e coros), pelo Diogo Picão (saxofone tenor e soprano, voz e coros), pelo Ricardo Ribeiro (clarinete baixo e soprano, teremim, estalinhos, ferrinhos e coros), pelo Baltazar Molina (dohola, prato, guizos, estalinhos e coros) e pelo Miguel Gelpi (contrabaixo e coros). Teresa Campos (voz e coros) gentilmente cedida por ela própria.

Eu escrevi e compus as canções. A Ditadura e a Revolução foram erguidas a meias com o Picão. Os arranjos dos sopros são obra dele e do Ricardo. A teia das vozes foi urdida pela Teresa. O quentinho que tudo segura vem das mãos do Baltazar e do Miguel. As cornetas em esteróides na Serra da Lapa saíram da cabeça do Manuel Brito. O Enxaguado enfada o samba do Último Desejo, do Noel Rosa, e pisca o olho ao Sérgio Godinho. A Serra da Lapa faz-se à do Zeca. Todas as outras se fazem a outras quaisquer.

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À saúde do Picão, à certeza do Ricardo, à franqueza do Baltazar, à surpresa do Miguel, ao acalanto da Teresa.

À Maria, por saber esperar seis anos para me ouvir cantar outra vez.

Ao Agostinho, pela mica do lalá.
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